quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Artigo: A crise dos relacionamentos amorosos na Marvel




Olá meus solitários leitores, em tempos de sagas apocalípticas tanto na DC Comics quanto na Marvel Comics, vamos divagar falar sobre o verdadeiro mal que assola os quadrinhos da Casa das Ideias, os relacionamentos amorosos dos seus heróis. Então cheguem mais perto, puxem uma cadeira e vamos começar.

  Antes de iniciar o assunto propriamente dito, direi porque escolhi os heróis da Marvel para esta matéria ao invés de escolher os heróis da casa do Batman e Superman, a DC Comics. Por um motivo bem simples meus caros amigos, os heróis da Marvel sempre foram mais humanos que os heróis da DC, principalmente até meados dos anos 90. Os heróis da DC eram vistos basicamente combatendo seus inimigos, com lampejos de suas vidas particulares como pano de fundo. Eram praticamente deuses entre os mortais. Tudo bem, tivemos os Novos Titãs de George Perez e Marv Wolfman, que exploravam bem esse lado pessoal dos heróis, mas só isso. Superman, Batman, Mulher-Maravilha e todo o panteão da Liga da Justiça basicamente enfrentavam o vilão ou deus louco da vez e terminavam a história dando boas risadas na Sala de Justiça. Já os quadrinhos da Marvel foram pioneiros nesse sentido. Desde sua reformulação em 1961, com o lançamento da primeira edição do Quarteto Fantástico, titio Stan Lee e sua trupe viram de maneira visionária que quadrinhos eram muito mais que personagens fantasiados trocando socos durante 20 páginas. Eles chegaram à conclusão de que aproximando os heróis de seus leitores, poderiam ter fãs muito mais fiéis e que se importariam com os rumos que o destino daria à cada um daqueles personagens. Todos estavam muito mais preocupados em saber se Peter Parker conseguiria pagar as mensalidades da faculdade ou se conseguiria conquistar de vez o coração de Gwen Stacy, do que se conseguiria frustrar mais um dos ridículos planos de dominação global (leia-se Nova York) do Dr. Octopus.


  E como não poderia deixar de ser, quando se quer aprofundar na vida pessoal de um personagem, seus relacionamentos amorosos não podem ficar de fora. O problema aqui caros leitores, é que com raríssimas exceções as vidas afetivas dos heróis Marvel são dignas de uma peça Shakesperiana, com suas tragédias e pessimismos. Será que assim os escritores podiam (e ainda podem) extravasar suas frustrações? Será que pensavam que com o sofrimento dos heróis poderiam aproximar esses ainda mais do estereótipo de leitor dos anos 70 e 80, jovem, apaixonado pela garota bonita do colégio ou faculdade, porém quase nunca correspondido. Não sei, apenas posso supor sobre isso. 

  O caso é que todos os heróis Marvel sofreram ou ainda sofrem os mais variados tipos de desilusão amorosa, seja por fatalidades, desencontros, desequilíbrios emocionais ou mesmo mal-entendidos. Os autores, desde os visionários dos anos 60 até os superstars da atualidade, jamais deram uma chance para os defensores da humanidade serem felizes. E se deram, logo tiraram a felicidade deles de maneira cruel, até mesmo sádica eu diria. Vamos à alguns exemplos:

Homem-Aranha e qualquer mulher na vida dele


  Peter Parker, ahh Peter Parker... mais conhecido como Homem-Aranha, deveria ser chamado de Homem-Sofrimento, tamanho é a "sofrência" desse pobre herói nas mãos dos autores durante sua existência. Peter Parker sempre foi "um próximo", passando dificuldades no emprego, no colégio e na faculdade, mas foi na vida amorosa que ele descobriu o verdadeiro significado da palavra "sofrer". Parker teve seu amor correspondido pela bela Gwen Stacy, mas a alegria durou pouco e logo sua namorada foi morta durante uma batalha com o Duende Verde. Esse camarada é tão azarado no amor, que Gwen Stacy foi uma das poucas personagens que nunca ressuscitou nos quadrinhos, pelo menos não sua versão original. Fizeram tanta besteira com a personagem depois disso, incluindo um certo retcon de traição que  nem vale a pena citar aqui. Vale citar também Betty Brand, que teve uma breve passagem na vida do aracnídeo, mas o relacionamento não foi adiante, pois a moça culpou (injustamente) o herói pela morte de seu irmão. Mary Jane Watson foi a terceira mulher na vida de Peter, a história dos dois até teve um início promissor, já que Mary Jane era uma mulher de personalidade forte, com um comportamento "bola pra frente", o que deu um novo rumo na vida sofrida do amigão da vizinhança. Os dois namoraram, noivaram e casaram e parecia que viveriam felizes para sempre. No entanto, todavia, porém, logo vieram problemas atrás de problemas, e o pobre herói teve que fazer um pacto com Mephisto, o que ocasionou um recomeço solitário na vida do Homem-Aranha, apagando das memórias de Peter e Mary Jane todas as alegrias vividas pelo casal. 

Feiticeira Escarlate e Visão


  Esse foi um relacionamento que já nasceu fadado ao fracasso, pois somente sofrimento poderia restar da união de um andróide (ou sintozóide para os puristas) e uma mutante inumana. Os dois chegaram a ter filhos e compartilhar momentos de felicidade, mas durante uma missão, a memória de Visão foi apagada por algum roteirista safado e foi descoberto que seus filhos eram apenas fragmentos do demônio conhecido como Mephisto (sim, ele novamente), não sendo reais. O choque foi grande demais para a Feiticeira Escarlate e esta entrou em um colapso mental quando tentou reviver os filhos, culminando em uma batalha onde matou diversos heróis, incluindo seu esposo Visão. Quer mais desgraça que isso?

Sr. Fantástico e Mulher-Invisível


  As idas e vindas desse casal são tantas que renderia um livro do Nicholas Sparks ou um CD com 20 músicas inéditas do Bruno e Marrone. Até o príncipe Namor meteu o dedo na cumbuca, tentando conquistar Sue Richards inúmeras vezes, dando muito trabalho para que Reed Richards provasse quem era seu verdadeiro amor. Aqui tenho que admitir, apesar do gênio científico e pouco romântico de Reed Richards ter dado motivo inúmeras vezes para que Sue partisse para uma carreira solo, o casal se mantém até hoje, provando que realmente existem almas gêmeas. O mesmo não pode se dizer da versão do universo Ultimate do casal, onde Reed Richards enlouqueceu e virou um genocida megalomaníaco e Sue Richards se apaixonou por Ben Grimm, o Coisa.

Capitão América e Peggy Carter


Aqui sim, posso dizer que o destino foi injusto e cruel. Os dois se apaixonaram durante a Segunda Guerra, mas antes do final da mesma, durante um combate com o Caveira Vermelha, Steve Rogers foi dado como morto, só vindo a aparecer décadas depois. Vamos nos colocar em ambos os lados da moeda. Se por um lado Peggy Carter viveu anos achando que o amor de sua vida tinha morrido, e teve que reconstruir sua vida com um homem, que apesar de bom, nunca foi seu verdadeiro amor. Por outro tivemos que presenciar o bandeiroso Steve Rogers acordar deslocado no tempo, e não bastasse isso, encontrar seu amor no final da vida, já velhinha, sem nada poder fazer. No mínimo triste.


Ciclope e Jean Grey


  Este casal passou poucas e boas durante suas aventuras nos X-Men. Jean Grey morreu e voltou como uma entidade cósmica enlouquecida, deixando Scott Summers duplamente arrasado. Não bastasse isso, Ciclope ainda teve que enfrentar um triângulo amoroso com o "fura-olho" do Wolverine. Descobriram que tinham um filho que foi criado no futuro e outras desgraças mais. Nem casal principal de novela das oito sofreu tanto quanto esses dois.

Demolidor e Elektra


  Apesar de cego, Matt Murdock teve que "ver" seu amor Elektra, morrer em seus braços após ser mortalmente ferida pelo vilão Mercenário. A ninja até ressuscitou um tempo depois, mas o casal nunca mais foi o mesmo. Cabe uma opinião particular nesse caso. Acho que o "dedo podre" dessa história é o herói Demolidor, pois o mesmo namorou também a Viúva Negra, heroína e assassina russa, por motivos óbvios, a relação não deu certo. A cereja do bolo, porém,  foi Karen Page, que de aspirante a atriz séria, virou atriz pornô e viciada em heroína, vindo posteriormente a vender a identidade secreta do herói no submundo do crime, o que quase ocasionou sua morte e o término, por um certo período, de sua carreira heróica e como advogado.

Hank Pym e Vespa


  Um dos casais mais controversos dos quadrinhos, pois desde o início Hank, o Homem-Formiga, se mostrou uma pessoa com uma personalidade um tanto instável, sendo sempre apoiado por Janet, a Vespa. O casal de heróis combateu juntos por muito tempo na equipe dos Vingadores, sendo inclusive membros fundadores da versão dos quadrinhos. Quando a relação parecia ser perfeita, Hank começou a demonstrar problemas mentais, vindo à criar um plano que quase acabou com sua própria equipe. O idiota simplesmente criou o Ultron, um dos piores inimigos dos Vingadores e depois tentou um segundo plano pra se tornar o herói do dia. Plano esse que não deu certo e terminou com um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos, quando o herói ignorando a Lei Maria da Penha deu uma surra em Janet, ocasionando no rompimento da relação. Tempos depois, o casal fez as pazes e voltou às boas. Mas, caros amigos, como estamos falando da Marvel, logo uma nova saga terminou com a morte da heroína Vespa, vindo Hank a assumir uma versão masculina da heroína como homenagem à sua falecida esposa.


  Eu poderia ainda citar outras inúmeras desgraças, como o assassinato da esposa e filhos de Frank Castle, o que o transformou no anti-herói Justiceiro, a triste história de desencontros entre Betty Ross e Bruce Banner, alter-ego do incrível Hulk e a perda de Wolverine, quando sua esposa Mariko faleceu. Isso só demonstra que a vida de combatente do crime e salvador da humanidade tem seu ônus, no caso a felicidade amorosa. 





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